sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Prática Herbal (Parte 3)

"Era muito bom estudar com alguém que já conhecia os lugares mais remotos da Europa, que já havia estado no ventre da Antiga Arte e que podia com total embasamento ensinar coisas que não estavam em nenhum livro.
Naquele dia quando cheguei me deparei com uma bancada cheia de ervas, flores e todo tipo de especiaria, achei lindo mas pensei seriamente no que aquilo ia dar e ao lado das ervas papel e lápis.

_Dia de prática Herbal, o que acha?perguntou ela apontando a bancada.
_Está lindo, mas assustador, não sei se reconheço todas essas ervas dos livros ou mesmo se conheço algumas pessoalmente - dei uns risinhos nervosos.
_Realmente dos livros você não vai reconhecer, imagens em preto e branco nunca me fascinaram - disse ela rindo e prosseguiu - E muitas você acha que não conhece ou pra quê serve, mas lembre-se, isso é o que você acha não o que você realmente sente. Era impressionante como tudo o que ela falava era carregado de sabedoria e sempre muitas pitadas de mistério.

_Vamos, o que você faria agora, sem livros, precisando elaborar por exemplo, um banho?
_Eu tocaria nas ervas e deixaria que me guiassem junto a minha intuição, sentindo sua textura, seus aromas, aguçando minha memória dessa e de outras existências e sabedoria. Disse isso naquele estado onde a gente diz sem saber mas sabendo, sabe? rs
_Perfeito! Faça! E foi enfática. Ok, eu entendi mesmo sem entender e fui sentindo cada maço de erva, cada aroma de flor e anotando, meu banho seria para relaxar, bem a minha cara, estou sempre ansiosa, rs.

Passado um tempo de análise, terminei, ainda titubeava por não ter certeza se tudo o que havia escolhido teria as propriedades desejadas mas deixei a intuição me levar e amei a sensação.

_Agora faça seu feitiço!
_Hein?
_Você não fará um banho sem entoar nada em seu preparo ou quando o tomar vai?
_É verdade, mas por onde começo?
_Pelo mesmo lugar que começou escolhendo as ervas, sua intuição! 
E lá fui eu, em meio àqueles aromas escrever o que eu desejava que aquele banho realizasse.
_Terminei!
_Vamos ver...ou melhor, veja você mesma, pegue meu livro na mesa. Curiosa fui sedenta pegar o livro e achar as propriedades de tudo que escrevi e comparar.
_E aí? Como acha que foi?
_Minha intuição me guiou muito bem, quase não acredito, mas ela se desviou no fim. Já disse em tom desajeitado, a gente sempre espera acertar tudo, há uma necessidade humana em aprovação que é absurda!
_Deixe-me ver - e pegou o papel da minha mão.
_Desviou porquê?
_Ah, porque no final eu acrescentei alecrim e não tem exatamente a função de calmante que eu imbuí ao banho...
_Mas que ótimo que a sua intuição é menos teimosa que o seu racional, ah criança! 
Eu já não entendia nada.
_É isso mesmo, que bom que a sua intuição sabia que apesar de ser um banho pra acalmar, a gente nunca pode esquecer de uma pitada de proteção, o alecrim, afinal somos bruxas, você sabe das energias que nos rondam. Naquele momento meu sorriso foi de orelha a orelha.
_Eu não errei então?
_Intuição quando ouvida jamais erra, mas quase errou ao duvidar dela, nunca mais duvide. 
E eu até hoje ouço essa frase quando penso em duvidar rs.

E quanto ao feitiço vocês devem estar se perguntando...bem, eu disse a ela que eram um punhado de palavras e rimas e ela disse:
_Não! Um bom punhado de palavras carregadas de energia, é tudo o que se precisa pra que algo se realize, mão na massa, intuição aguçada e fé no que se entoa, pronto! Magia!

Sábias palavras!

Sacerdotisa Aislin Celtic*

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