sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Um Sonho e um Chá (Parte 4)

"Chovia, era preciso muita coragem para atravessar a cidade em meio a qualquer chuva, mas não era a coragem que me movia naquele dia, era a curiosidade sobre um sonho que havia tido, estava realmente interessada em ajuda para entendê-lo.
Cheguei afoita, quase deixando guarda-chuva e capa pelo caminho, fui direto para os fundos, a área das ervas e do fogão a lenha, sabia que com aquela chuva ela estaria a preparar um chá pra esquentar e não estava enganada.

_Pensei que não viesse, a água está querendo mostrar seu poder hoje.
_Pois é, foi complicado mas vou ser sincera um sonho que tive hoje me moveu a vir mais do que os habituais estudos.
_Hum, adoro sonhos, especialmente se eles fazem alguém se mover pelas águas turbulentas, vamos me conte. E sentou-se igualmente curiosa a meu lado, deixando a água ferver no caldeirão.
_Foi a única imagem que me lembro da noite, não houveram pessoas, nem palavras,  e nem me pergunte o contexto, só vi essa imagem, como uma foto em 3D.
_E que imagem era?
_Eu não faço a menor idéia, mas são estrelas e azuis, algo que nunca vi antes, creio que devam ter um nome por isso vim perguntar e tentar interpretar como sempre fazemos.
_Estrelas? perguntou ela já com o semblante mais sério.
_É, porque parece estranho?
_Você as viu como? Estrelinhas como essas que desenhamos - deu um riso nervoso, parecendo querer desconversar.
_Não, eu vi como se visse no céu, mas bem de perto, como se estivesse no céu. 
Eu juro que a vi empalidecer quando disse isso.
_E como eram essas estrelas?
_Eram sete, olhe aqui, eu desenhei assim que acordei, desenhei pontos, mas os pontos de luz como via, parecem formar um tipo de nebulosa não é? E mostrei um esboço que fiz ainda sonolenta ao acordar (esboço esse que hoje me lembrando, percebo que nunca mais vi, se perdeu junto com minha memória desse fato, até hoje)
Ela olhou o papel como se visse através dele, minutos a fio, e não tinha muito a se ver, mas ela parecia ver algo que eu não via, já estava assustada.
_Não me parece nada demais, nada que eu conheça ao menos. Disse ela em tom titubeante.
_Mas olhou tanto para o papel, achei que saberia me dizer o nome, devem ter um nome e um significado certo?
_Não acho que seja um sonho que queira lhe dizer algo, sossegue. E foi falando em direção ao fogão onde começou a preparar o chá, com ervas demais eu diria, olhando com os olhos de agora.
_Acho que devíamos ver nos livros, acho mesmo que elas tem um nome e daí podemos ver o que isso quer dizer.
_Não acho que devamos perder tempo com isso, é sério. 
E seu tom foi ficando mais firme.
Eu porém continuei insistindo, enquanto ela preparava com tanta voracidade aquele chá como jamais vi.
_Bom, enquanto prepara o chá vou ver nos livros - disse eu já me levantando rumo as estantes, então em tom alto ouvi:
_Sente-se e me escute! 
Olhei um tanto quanto temerosa, ela vinha séria em minha direção com uma xícara de chá sentando-se a mesa.
_Você não vai procurar sobre isso, me entende?
_Ma masss
_Sabrina, você não vai mais pensar nesse sonho! Dificilmente ela me chamava pelo nome, aquilo me mostrou a seriedade da situação.
_Agora beba esse chá pra se aquecer e podermos prosseguir com as temáticas de hoje está bem?
Não, claro que nada estava bem, eu certamente iria procurar respostas, mas não com a ajuda dela, isso era certo, mas não era a hora de discutir aquilo e fui bebendo o chá.
_Tudo bem, vamos seguir, ah é chá de quê e pra quê? Eu sempre perguntava, ela sempre me fazia sentir as ervas e descobrir, era como um exercício, mas não dessa vez...
_Algumas ervas aleatórias pra aquecer e trazer tranquilidade. 

Ela nunca me dizia pra quê era, eu deveria descobrir, ela não seguiu o padrão português rígido dela, tudo estava estranho, lembro que senti alfazema, angélica, artemísia e algo que ou não conhecia ou que ela nunca havia me apresentado e estranhamente (agora lembrando) seguimos para os estudos do dia e eu nunca mais pensei sobre o sonho, eu não me lembrava mais dessa conversação e o papel certamente ela deu fim, assim como na minha memória desse fato por quase 10 anos, havia algo além naquele chá e ela certamente algo entoou enquanto o fazia. 

Por forças oblíquas do destino eu descobri sobre essas estrelas e não faz muito tempo, mas só hoje me recordei que já as havia reconhecido há muito, só me foi bloqueado o saber por quase uma década.

Não sei ainda como me sentir a respeito, bem, na verdade eu sei e sei porque ela fez isso, o que apenas reforça minha tese.

No mais, eu recomendo, só beba chás que você prepare! rs"

Sacerdotisa Aislin Celtic

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